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Reunião Literária 2021

Resenha literária

A criatividade do Rei

Roberto Lima Netto

Por Afonso Dantas de Sousa2 min de leitura

Resenha literária sobre o livro “A criatividade do Rei” Afonso Dantas de Sousa É bem difícil manter o ócio criativo, num cenário mergulhado no abismo, onde as esperanças de um mundo melhor sequer são levadas em consideração, e a sombra das inúmeras perdas individuais e coletivas se mostra mais assustadora. O cansaço vem, a perda da criatividade, mesmo assim, quando ocorre de perdê-la, debruçar-se diante desse livro é o afazer ideal. A obra viaja para terras longínquas, num lugar onde processo de esgotamento da criatividade são conversas levadas muito a sério. Mesmo em sua introdução, o livro infanto juvenil é tratado com muita seriedade, de maneira nenhuma sendo chamado de auto ajuda, tampouco acometido como ficção, mas denominado um conjunto de vetores da filosofia. “A criatividade do Rei” reúne um abocanhado de experiências vividas e traduzidas da forma mais agradável e singela possível, que permite resgatar as despercebidas alegrias das quais Guimarães Rosa imaginou: “Só em raros momentos de distração”. E é justamente nesse ponto que pude viajar para um mundo onde as Ciências Econômicas não eram tão interessantes quanto este livrinho, do qual realmente tem muito a dizer, aliás, excelente distração. Alain, o jovem rei, é apresentado com todas as atribuições que lhes eram necessárias para o cargo que lhe foi atribuído. Por ser jovem, suas preocupações, anseios e responsabilidades fazem com que o leitor se afeiçoe com seus questionamentos. O arco principal se desenvolve conforme ele, rodeado de problemas, resolve pedir conselhos para o Velho Rei, que depois de ter passado a coroa um corpo mais novo, se viu rejuvenescido em sua disposição enquanto indivíduo. Com o desenvolver do livro, os conselhos as aventuras são feitas em formato de metáforas e desafios, como todo mestre ancião de alguma jornada aventuresca, onde o jovem precisa entender o ponto de vista do mais velho, do qual demonstra não só uma curiosidade em decifrar enigmas e entender pontos, mas também a curiosidade do próprio leitor. Roberto Lima Netto expõe uma prática que nos falta enquanto acadêmico que é a possibilidade de enxergar “a jibóia que engoliu o elefante”, isto é, ver bem mais do que os olhos conseguem. A prática simples e aguça e instiga a curiosidade do leitor, por exemplo, ao representar não existir apenas uma resposta certa em alguns desafios, o príncipe entende que não há uma maneira “correta” de enxergar o mundo, mas diversas, talvez infinitas. No âmbito corporativo, a inovação se apresenta como cenário indispensável, mesmo que a necessidade de criatividade transcende a ideia de empresa. No cenário individual, a criatividade pode diferenciar entre o fracasso e o sucesso pessoal, por esse motivo o livro, mesmo nos dias atuais, se mostra tão imprescindível.