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Reunião Literária 2020

Resenha literária

Alice no país das maravilhas

Lewis Carroll

Por Otavio Luis Barbosa5 min de leitura
Capa de Alice no país das maravilhas

Resenha Literária Alice no País das Maravilhas Lewis Carroll Alice no País das Maravilhas foi escrito por Charles Lutwidge Dodgsn sob o pseudônimo de Lewis Carroll e publicada em quatro de julho de 1865. O autor foi romancista, poeta e lecionou matemática na Christ College em Oxford. Faleceu em 14 de janeiro de 1898 por conta de uma pneumonia. A obra é mundialmente conhecida, foi traduzida para mais de 100 idiomas e teve adaptações para o cinema em todo o mundo ocidental. Em 1903 teve a sua primeira adaptação para o cinema sob direção de Cecil hepworth e Percy Stow, mas o grande foi em 1951 quando o estúdio da Walt Disney lança a sua versão que logo se tornou tradicional. 59 anos depois, com direção do renomado diretor Tim Burton e estrelado por Johnny Depp como o chapeleiro maluco e Mia Wasikowska como a Alice, é lançada uma das adaptações que mais rendeu público e críticas. O livro conta a história de uma menina corajosa e racional que sempre se auto aconselha chamada Alice. Em uma tarde preguiçosa e de descanso com sua irmã, Alice vê a inusitada cena de um coelho branco, com olhos vermelhos e um relógio que corria atrasado para um compromisso até então desconhecido para o leitor e a personagem principal. Curiosa por si só, Alice persegue o coelho para descobrir de onde ele vinha e para onde ele ia com tanta pressa tagarelando. Assim, ela entra em uma toca e a partir desse momento passa a experimentar uma realidade alternativa e fantástica que parece ser capaz de existir apenas nos sonhos. Ao chegar nesse mundo, que arrisco dizer brincar com os limites do imaginário comum e dos sonhos, Alice passa a lidar com algumas frustrações e também aventuras muito inusitadas. Como, por exemplo, o momento em que ela chega a um grande saguão branco com uma pequenina porta trancada. Para atravessar a porta era preciso que ela diminuísse o seu tamanho e pegasse a chave que estava sobre uma mesa, a qual de repente aparece ao seu lado com uma garrafa com uma etiqueta escrita “beba-me”. Neste momento e em diversos outros ao longo da história, Alice se mostra racional e ao se questionar a procedência daquele líquido desconhecido com apenas uma etiqueta – poderia ser veneno! Mesmo assim e sem alternativa, a menina toma o que tinha dentro dessa garrafa e sente seu corpo mudar de tamanho. Em um primeiro momento feliz, pois finalmente poderia finalmente pegar a chave na mesa, mas triste por ter seu tamanho dobrado. Atendendo aos seus pedidos, aparece uma caixa com biscoitos no chão que tinham escrito “coma-me”. Alice então come esses biscoitos e novamente seu corpo muda de proporções, agora pequena e capaz de passar pela porta e ir atrás do coelho apressado,

porém percebe que a chave fica na mesa que agora era muito maior que ela. É ai que ela começa a chorar e recebe a companhia de alguns amigos animais falantes, dançantes e que não paravam de cantar. Essa é apenas a primeira aventura com o inesperado e que jamais poderia acontecer em um mundo real. Outro momento famoso é quando Alice, completamente perdida, encontra o Gato de Cheshire da duquesa na floresta. Sem rumo, ela pergunta ao gato sorridente e sombrio qual seria o melhor caminho para sair da floresta e seguir seu caminho até o jardim. O gato responde: “Então não importa que caminho você vai tomar, desde que chegue a algum lugar.” Embora para a personagem não pareça ser algo para se refletir, o leitor pode tomar isso como um simbolismo com relação a momentos de muita incerteza na sua tomada de decisão em alguns âmbitos de sua vida. Assim, como essa, outras também podem proporcionar um momento de reflexão para quem estiver lendo – embora seja um livro infantil, será? Com o passar dos capítulos, o enredo da história pode envolver o leitor de maneira que ele possa criar a sua própria e única interpretação dos fatos – nem tanto fato, se é que são fatos – narrados. A cada capítulo um novo personagem é introduzido na história, o que pode causar uma impressão de linearidade, mas que na verdade acrescenta um novo sentido que priva quem estiver lendo de tentar adivinhar o que pode acontecer depois. Isso porque, os diálogos não obedecem a uma lógica concreta, mas apelam para um lado do desconexo, irreal e fantástico. Embora Alice ainda apresente certa racionalidade, essa característica não dá a ela alguma possibilidade de compreensão do que está acontecendo de fato. Por isso, ela sempre questiona as histórias e o que os outros personagens, que são animais falantes, estão contando para ela, o que pode causa a falsa impressão de petulância e inconveniência por parte dela. A maneira como o autor conclui a história deixa mais claro o quão irreal é aquilo que a jovem Alice estava vivendo. Era apenas um sonho daquela tarde preguiçosa e de descanso que ela estava tendo na lagoa acompanhada de sua irmã. O mais interessante é que cada persona que compõe a história é a representação de um som que a Alice escutava em segundo plano enquanto dormia. Isso mostra que o autor brinca com o inconsciente e as percepções sonoras ao redor da personagem. Embora o livro seja direcionado ao público infantil, é possível notar que não necessariamente é isso. Esse fato contribui para uma compreensão que é dúbia e confusa, pois ao mesmo tempo em que a fantasia tenta impressionar os pequenos, ela pode causar choque e reflexão aos adultos. É uma leitura que eu jamais poderia deixar de ter contato, dado a sua importância para a literatura e a qualidade dessa aventura psicodélica que brincou com as minhas percepções e capacidade de interpretação. Por Otavio Luis Barbosa.