Resenha literária
Alice no país das maravilhas
Lewis Carroll

Resenha Literária Alice no País das Maravilhas Lewis Carroll Alice no País das Maravilhas foi escrito por Charles Lutwidge Dodgsn sob o pseudônimo de Lewis Carroll e publicada em quatro de julho de 1865. O autor foi romancista, poeta e lecionou matemática na Christ College em Oxford. Faleceu em 14 de janeiro de 1898 por conta de uma pneumonia. A obra é mundialmente conhecida, foi traduzida para mais de 100 idiomas e teve adaptações para o cinema em todo o mundo ocidental. Em 1903 teve a sua primeira adaptação para o cinema sob direção de Cecil hepworth e Percy Stow, mas o grande foi em 1951 quando o estúdio da Walt Disney lança a sua versão que logo se tornou tradicional. 59 anos depois, com direção do renomado diretor Tim Burton e estrelado por Johnny Depp como o chapeleiro maluco e Mia Wasikowska como a Alice, é lançada uma das adaptações que mais rendeu público e críticas. O livro conta a história de uma menina corajosa e racional que sempre se auto aconselha chamada Alice. Em uma tarde preguiçosa e de descanso com sua irmã, Alice vê a inusitada cena de um coelho branco, com olhos vermelhos e um relógio que corria atrasado para um compromisso até então desconhecido para o leitor e a personagem principal. Curiosa por si só, Alice persegue o coelho para descobrir de onde ele vinha e para onde ele ia com tanta pressa tagarelando. Assim, ela entra em uma toca e a partir desse momento passa a experimentar uma realidade alternativa e fantástica que parece ser capaz de existir apenas nos sonhos. Ao chegar nesse mundo, que arrisco dizer brincar com os limites do imaginário comum e dos sonhos, Alice passa a lidar com algumas frustrações e também aventuras muito inusitadas. Como, por exemplo, o momento em que ela chega a um grande saguão branco com uma pequenina porta trancada. Para atravessar a porta era preciso que ela diminuísse o seu tamanho e pegasse a chave que estava sobre uma mesa, a qual de repente aparece ao seu lado com uma garrafa com uma etiqueta escrita “beba-me”. Neste momento e em diversos outros ao longo da história, Alice se mostra racional e ao se questionar a procedência daquele líquido desconhecido com apenas uma etiqueta – poderia ser veneno! Mesmo assim e sem alternativa, a menina toma o que tinha dentro dessa garrafa e sente seu corpo mudar de tamanho. Em um primeiro momento feliz, pois finalmente poderia finalmente pegar a chave na mesa, mas triste por ter seu tamanho dobrado. Atendendo aos seus pedidos, aparece uma caixa com biscoitos no chão que tinham escrito “coma-me”. Alice então come esses biscoitos e novamente seu corpo muda de proporções, agora pequena e capaz de passar pela porta e ir atrás do coelho apressado,
porém percebe que a chave fica na mesa que agora era muito maior que ela. É ai que ela começa a chorar e recebe a companhia de alguns amigos animais falantes, dançantes e que não paravam de cantar. Essa é apenas a primeira aventura com o inesperado e que jamais poderia acontecer em um mundo real. Outro momento famoso é quando Alice, completamente perdida, encontra o Gato de Cheshire da duquesa na floresta. Sem rumo, ela pergunta ao gato sorridente e sombrio qual seria o melhor caminho para sair da floresta e seguir seu caminho até o jardim. O gato responde: “Então não importa que caminho você vai tomar, desde que chegue a algum lugar.” Embora para a personagem não pareça ser algo para se refletir, o leitor pode tomar isso como um simbolismo com relação a momentos de muita incerteza na sua tomada de decisão em alguns âmbitos de sua vida. Assim, como essa, outras também podem proporcionar um momento de reflexão para quem estiver lendo – embora seja um livro infantil, será? Com o passar dos capítulos, o enredo da história pode envolver o leitor de maneira que ele possa criar a sua própria e única interpretação dos fatos – nem tanto fato, se é que são fatos – narrados. A cada capítulo um novo personagem é introduzido na história, o que pode causar uma impressão de linearidade, mas que na verdade acrescenta um novo sentido que priva quem estiver lendo de tentar adivinhar o que pode acontecer depois. Isso porque, os diálogos não obedecem a uma lógica concreta, mas apelam para um lado do desconexo, irreal e fantástico. Embora Alice ainda apresente certa racionalidade, essa característica não dá a ela alguma possibilidade de compreensão do que está acontecendo de fato. Por isso, ela sempre questiona as histórias e o que os outros personagens, que são animais falantes, estão contando para ela, o que pode causa a falsa impressão de petulância e inconveniência por parte dela. A maneira como o autor conclui a história deixa mais claro o quão irreal é aquilo que a jovem Alice estava vivendo. Era apenas um sonho daquela tarde preguiçosa e de descanso que ela estava tendo na lagoa acompanhada de sua irmã. O mais interessante é que cada persona que compõe a história é a representação de um som que a Alice escutava em segundo plano enquanto dormia. Isso mostra que o autor brinca com o inconsciente e as percepções sonoras ao redor da personagem. Embora o livro seja direcionado ao público infantil, é possível notar que não necessariamente é isso. Esse fato contribui para uma compreensão que é dúbia e confusa, pois ao mesmo tempo em que a fantasia tenta impressionar os pequenos, ela pode causar choque e reflexão aos adultos. É uma leitura que eu jamais poderia deixar de ter contato, dado a sua importância para a literatura e a qualidade dessa aventura psicodélica que brincou com as minhas percepções e capacidade de interpretação. Por Otavio Luis Barbosa.
