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Reunião Literária 2020

Resenha literária

Mulheres, raça e classe

Angela Davis

Por Ruth Stein2 min de leitura
Capa de Mulheres, raça e classe

Resenha Literária Mulheres, Raça e Classe - Angela Davis DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. Boitempo Editorial, 2016. Publicado originalmente em 1981, pela ativista, filósofa e professora Angela Davis o livro "Mulheres raça e classe", é uma obra que traz a público discussões sobre o lugar da mulher na sociedade norte-americana e as sutis nuances da opressão social e racial, por meio do apontamento de fatos históricos e das mudanças apresentadas na vida em sociedade. A argumentação posta pela autora nos leva, nos primeiros capítulos, ao período da escravidão, apresentando de forma impactante e honesta a dinâmica escravista e os tratamentos desumanos infligidos aos escravizados, e como o papel da mulher negra escravizada se altera a partir da necessidade de novos escravos e da iminente proibição do tráfico de negros. Outro ponto abordado pela autora é a forma como a violência se moldava e como as agressões de cunho sexual contra as escravas era uma forma vil e comum de punição e humilhação. Os apontamentos sobre as diversas formas de opressão sociorracial se tornam mais claros no período pós-abolição, durante a guerra-civil e no pós-guerra, onde as lutas por direitos, travadas pelas associações de mulheres, e por poder lideradas pelos políticos do sul dos EUA, se tornaram aliadas para evitar o avanço dos direitos dos cidadãos de cor, colocando que a mulher branca (letrada) deveria ter direito a voto para manter a supremacia de sua raça, como ponto principal em sua dinâmica. O livro passa ainda pelas nuances do racismo dentro do movimento feminista, expondo trechos de discursos onde líderes do movimento se colocavam ao lado da supremacia branca para obter quaisquer mínimos avanços para as mulher brancas anglo-saxãs, mesmo que esse posicionamento deixasse todas as mulheres de cor excluídas das discussões e ainda mais marginalizadas. Davis nos leva ainda a refletir sobre os mitos criados sobre a imagem de pessoas negras, e que facilitam a discriminações e atos racistas. Em “Mulheres, raça e classe” Angela Davis nos leva em uma caminhada pela história, expondo em linhas claras como o papel da supremacia racial, do sexismo e do classismo, colaboram para manutenção de uma sociedade moldada pela escravidão, onde a mulher negra se vê em posição desumanizada lutando pela sobrevivência, tanto sua como de seu povo. Por fim, deixo aqui uma das passagens que mais me marcaram nessa leitura, e talvez a mais atual delas, onde a autora nos diz que “A serviçal, por outro lado, trabalhava com o único propósito de satisfazer as necessidades de sua senhora. Provavelmente enxergando sua criada como mera extensão de si mesma, a feminista dificilmente poderia ter consciência de seu próprio papel ativo como opressora.” Ruth Stein Silva