Resenha literária
O Caminho do Tarot
Alejandro Jodorowsky e Marianne Costa
Resenha Literária O Caminho do Tarot - Alejandro Jodorowsky e Marianne Costa Daniel de Almeida Bahiense O Caminho do Tarot, originalmente publicado em 2004, conta a história pessoal de Alejandro Jodorowsky - escritor, psicólogo, cineasta e tarólogo - em sua jornada com as 78 cartas - ou arcanos - que compõem o deck de tarô. Jodorowsky, filho de imigrantes ucrânianos, nasceu em 1929 na pequena cidade chilena Tocopilla. Em sua obra, relata seus primeiros contatos e jornada com a arte do tarô; logo de começo, relembrando em especial a memória do ‘Louco Abraham’, um judeu carismático que encantava Jodorowsky com suas habilidades de fazer complexos castelos com as cartas de um baralho comum, e logo após, as destruía sem remorso algum. Por ser uma criança inocente, Alejandro perguntou a Abraham o motivo dos complexos castelos terem sempre um fim rápido e sem muitas cerimônias, como resposta, o judeu lhe deu uma que não poderia dizer aos “adultos” "Eu imito Deus, garotinho. Aquele que nos cria nos destrói e, com os nossos restos, Ele nos reconstrói" Por ser muito diferente dos chilenos que o rodeavam, Alejandro relata que sua infância foi sozinha, não tinha muitos amigos e seus pais trabalhavam horas por dia. Sozinho em sua casa, ainda criança, teve seu primeiro contato direto com uma carta de tarô, O Carro, o arcano de número 7. A mãe de Jodorowsky, Sara, ao ver o filho segurando tal carta se pôs a chorar, pois era a mesma carta que o avô de Alejandro, um alto bailarino russo, sempre carregava em seu bolso e que incrivelmente, foi a única coisa que permaneceu intacta após o mesmo morrer em um acidente. Anos mais tarde, Alejandro encontrou seu refúgio no café Íris, em Santiago no Chile, lá fez muitos amigos e pode compartilhar seus poemas até tarde da noite e onde após se reunir com os novos amigos, sempre parava na casa de uma gentil senhora francesa, Marie Lefèvre, que lhes ofereciam a altas horas da madrugada uma sopa quente e uma leitura de tarô com cartas que ela mesmo tinha feito a mão. “Este estranho contato com as cartas foi decisivo: graças a essa mulher, em meu coração o Tarot ficaria para sempre unido à generosidade e ao amor sem limites” Marie em uma de suas tiragens previu que Alejandro iria viajar o mundo inteiro até o fim de sua vida, e foi o que aconteceu. O autor, quando jovem, viajou
por diversos países com Marcel Marceau, um dos maiores mímicos do pós-guerra; a cada país novo, Jodorowsky comprava e adicionava mais um deck de tarô à sua coleção. Passando por diversos países e tarólogos, logo Alejandro foi percebendo que o tarô tomou diversas formas, interpretações, origens e significados que ao final de tudo não tinham sentido algum e que as diversas atribuições a culturas e religiões não faziam parte da arte que as 78 cartas se prostravam. “Ninguém sabe quem criou o Tarot, nem onde, nem como. Ninguém sabe o que a palavra Tarot significa, nem a que idioma pertence.” De tal forma, o mesmo percebeu que o único deck original e mais antigo era o de Marselha, mas apesar disso, até ele tinha sido posto a modificações com o passar do tempo, sendo assim, Alejandro se reuniu a Philippe Camoin, descendente de uma família que imprimia decks de Marselha desde 1760, e juntos viajaram pelo mundo para restaurar então o deck original de tarô, com todas suas cores e símbolos no devido lugar. Os dois parceiros, após anos de muita pesquisa e viagem, restauraram o deck original de Marselha. Alejandro ao fim de sua jornada, voltou ao café Íris para realizar suas leituras pela primeira vez com o deck correto, e foi então que apareceu Marianne Costa, sua primeira cliente e atualmente sua esposa; a quem lhe dá total mérito pela inspiração de escrever a obra que nesta resenha com muito carinho falo.
