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Reunião Literária 2020

Resenha literária

Quarto de Despejo: diário de uma favelada

Carolina Maria de Jesus

Por Amanda Cristaldo Neis2 min de leitura
Capa de Quarto de Despejo: diário de uma favelada

Resenha Literária Petiana: Amanda Cristaldo Neis Obra: Quarto de despejo: diário de uma favelada Autora: Carolina Maria de Jesus Carolina Maria de Jesus, mineira, nascida em 14 de março de 1914, neta de escravos, filha de lavadeira e de origem humilde. Devido as dificuldades financeiras não conseguiu prosseguir nos estudos. Após várias mudanças, em 1947, foi morar em São Paulo e, após engravidar e ser abandonada teve que morar na rua e posteriormente construiu seu barraco na favela do Canindé. Mãe de três filhos passou muitas por dificuldades e nesse contexto foi que ela escreveu os diários, sobre a dura realidade que enfrentava, que posteriormente foram reunidos na obra “Quarto de despejo”. Quarto de despejo, publicado em 1960, retrata a dura realidade da mulher, negra, migrante, mãe solteira, sem estudos, catadora de lixo e moradora da favela de Canindé, em São Paulo, Leitura difícil, mas que retrata fielmente as dificuldades que a catadora de lixo encontra na tentativa de sobrevivência diária. Além da dura realidade cotidiana, a mãe de três filhos por muitas vezes enfrenta a extrema pobreza e fome devido à falta de dinheiro. Obra mais que necessária para literatura brasileira e mundial, que trouxe fama para Carolina, mas que após essa obra foi negligenciada e esquecida pelas editoras, e suas obras posteriores não tiveram o mesmo alcance que “Quarto de despejo”. A crítica social contida na obra desnudou a realidade vivida por muitos brasileiros e brasileiras naquela época. Além de retratar todas as problemáticas acerca das favelas, que na época ainda não tinham destaque. Carolina Maria de Jesus, mulher lutadora e vitoriosa, por meio de sua escrita simples e as vezes fuga do português padrão trouxe outra perspectiva para a literatura brasileira, trazendo à tona problemáticas que envolvem a mínima subsistência e sobrevivência digna das pessoas, retratou temas como precariedade das moradias nas favelas, extrema pobreza, fome, preconceito, religiosidade e tantos outros.

Denúncia, crítica social, e resistência definem essa obra intensamente maravilhosa. Todos deveriam ter acesso a esse tipo de leitura para conseguirem enxergar verdades nuas e cruas que assolam a população como um todo. Volto a repetir, mulher, negra, mãe de três filhos, solteira, sem estudos, pobre, abandonada pelos homens que a engravidaram, catadora de recicláveis, lavadeira, exemplo de mulher, vitoriosa, lutadora.